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20 de dezembro de 2015

Por que Jessica Jones é um espelho da realidade?

    Texto por: Eduarda Chaves e Danielle Cristina

[O texto contém informações que podem ser consideradas spoiler]

    No dia 20/11 a tão amada Netflix lançou ao mundo a série Jessica Jones, dando continuidade a parceria com o universo Marvel, sendo o segundo fruto de uma relação que tem dado muito certo. É fácil imaginar que as expectativas seriam grandes após o sucesso de Demolidor e, ao meu ver, Jessica Jones ultrapassou o que se era esperado. Não estou, de forma alguma, comparando as duas séries - afinal Jessica JonesDemolidor possuem temas completamente diferentes -, mas posso afirmar que JJ derrubou vários forninhos.


    Mas o que essa série tem de tão especial? Simples: ela é uma metáfora da realidade de milhões de mulheres! Aposto que se você nunca esteve num relacionamento abusivo, conhece alguém que já passou por isso - ou está passando. Jéssica Jones fala de um fantasma do passado, um homem cujo a dominou psicologicamente, a fez fazer coisas terríveis e a pôs sob seu controle de forma tão profunda que ela não conseguia escapar (tudo isso com ajuda de seus poderes, é claro). Fora a parte fantasiosa. Soa familiar?

    Ao decorrer da série, você pode perceber todas as marcas que Killgrave (David Tennant) deixou em Jessica (Krysten Ritter), partindo de seu alcoolismo e crises de pânico até o isolamento social da protagonista, em vista de seu medo de machucar as pessoas a sua volta. Seus traumas são refletidos durante toda a série, podendo-se exemplificar em duas frases impactantes, uma onde Jessica aponta para sua cabeça e diz que ele sempre estará lá e outra onde diz que nunca está segura, afinal qualquer um - literalmente - pode estar sob o controle do doentio Killgrave.


    Com o passar dos episódios, pode-se ver que o vilão acaba envolvendo Jessica em mais e mais teias psicológicas, indagando confusão ao ponto de fazer ela pensar em desistir e ficar ao lado dele, tentar fazê-lo mudar e praticar o bem. Mas o que impede Jessica Jones de dar na cara de Killgrave, já que ela o odeia? A resposta possui apenas uma palavra: Hope. Ele sabe da relação entre Jones e Hope (Erin Moriarty), sabe que está protegido.

    E mais uma vez caímos no espelho da vida real:
    Jessicas que não deixam maridos abusivos devido aos filhos.
    Jessicas que choram por causa de um namorado que as domina.
    Jessicas que diariamente são assassinadas e agredidas por seus parceiros.
    Jessicas que são forçadas a fazer sexo com seus maridos.
    Jessicas que são manipuladas por seus companheiros. 
    Jessicas que sofrem. 

    E que, ao final de tudo, ainda são culpadas ou taxadas como mulheres que se vitimizam ou se agradam com a situação em que são colocadas.

    O mundo está cheio de mulheres silenciadas em relações abusivas. Está cheio de Jessicas Jones. Tudo isso porque homens acreditam que mulheres são coisas, meros objetos que estão sob seu poder e que podem ser controlados e usados da maneira que desejarem. E a nossa resposta para isso? NÃO

    Se você está em um relacionamento, faça uma análise sobre as ações de seu companheiro e responda algumas perguntas: Isso me incomoda? Faz com que me sinta mal? Me inferioriza? Me priva da minha felicidade? Se obtiver "sim" como resposta das perguntas: tome cuidado, pois você está em um relacionamento abusivo. 

    O melhor a fazer é sair dele o mais rápido possível, pois não vale a pena o sofrimento e o risco que sua vida corre todos os dias, mas sabemos que muitas vezes isso não é uma tarefa fácil. Apenas tenha plena certeza de que a culpa não é, nunca foi e nunca será sua, e que você não tem a obrigação de tentar mudar a pessoa com quem está envolvida. 

   Se você não está em um relacionamento abusivo, mas conhece uma mulher que esteja: faça algo! Essa coisa de "não meter a colher" só serve para deixar as coisas como estão e ficar de braços cruzados quando se pode ajudar. Converse, mostre-se disposta a ajudar, console e conforte a vítima. E, principalmente, mostre que ela não é obrigada a passar por aquilo. 

    O que resta a nós, meras mortais, é o consolo a essas mulheres: apoiá-las o quanto for necessário porque, por mais que não possamos dar super saltos ou levantar um carro com uma mão, podemos nos unir e denunciar os Killgraves da vida real.

    Gostaríamos de deixar claro que Jessicas não existem apenas em relacionamentos heterossexuais. Apenas tomamos como o foco por se tratar da relação estabelecida na série.


   * A Eduarda é uma grande amiga virtual que vez ou outra escreverá no Heroínas Modernas. E quem sabe até poderá entrar para a equipe! O maravilhoso texto sobre Jessica Jones foi escrito por ela, e apenas acrescentei o final do texto sobre relacionamentos abusivos!  

Um comentário :

  1. Eu assisti o painel do lado de fora e adorei a simpatia deles *_*


    www.saidaminhalente.com

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